Вадим Клоков
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Cancoes entre culturas

Há onze anos radicado em Belém, o músico russo Vadim Klokov lança amanhã seu primeiro CD, reunindo alguns dos melhores músicos da cidade para uma jam session

Difícil de definir. É o que o músico Vadim Klokov, um russo fisgado pela Amazônia há mais de dez anos, fala sobre o seu primeiro CD, “Jivelox”, gravado em Belém, com participação da nata dos músicos locais, que ele lança amanhã à noite, num show intimista no Cosanostra Café, com a participação de parte dos músicos que tocaram no CD. Bem, mas como classificar um músico que já transitou pelo rock progressivo com a mesma desenvoltura com que hoje atua na música clássica e que diz que o melhor mesmo é manter a mente aberta dentro da pesquisa musical?

Esta será a primeira oportunidade para o público de Belém ouvir o trabalho autoral do músico russo, que até então só tinha feito audições reservadas aos amigos. “Literalmente são referências que se misturam. Existe no disco uma gama de cores que são minhas próprias. Tem blues, baladas e até músicas dançantes. Por isso estou esperando o que as pessoas vão dizer”, adianta Klokov, que diz ter, em seu trabalho autoral, influências de jazz, Peter Gabriel, Frank Zappa e Seal. “Mas talvez as pessoas não vejam isso. De repente são mais influências na atitude do que na música em si”, completa.

A mistura de “Jivelox” começa pelo título, um neologismo criado pelo músico a partir das palavras “jiv”, raiz da palavra “vida” em russo, e “velox”, do latim, que remete à vida intensa, rápida. Nele constam 15 canções, todas compostas por Klokov, que também assina os arranjos. Isso mesmo. Apesar de conhecido como instrumentista - é fagotista, professor da Fundação Carlos Gomes e da Universidade do Estado do Pará -, Klokov também é letrista e cantor e mostra sua poética no disco de estréia em versões em russo, inglês e português (estas últimas escritas em parceria com Isabella de Luca, Felipe Diniz e Carolina Diniz). “O português eu já considero a minha segunda língua. Fazer o disco em três línguas também é uma conseqüência da globalização. Se você acredita no seu trabalho e espera divulgá-lo em outros lugares, é natural.”
Não há um único tema. As letras, diz Klokov, são sobre o ser humano. Podem falar de amor, de uma saudade, como “Glass Bailarina”, que ele fez para a filha Polina, que ainda vive em Moscou, ou de uma certa preocupação ambiental, da relação com a natureza, como “Drops of the Amazon”, sempre de forma poética. Como não poderia deixar de ser, há muitos trechos instrumentais há uma suíte composta especialmente para a Amazônia Jazz Band -, mas há os vocais dele e também vocalises da cantora Anny Lima.

Os sons misturam desde instrumentos como guitarra e baixo, programações eletrônicas, instrumentos clássicos e até sons antigos, como o do cravo e do “duduque”, instrumento de origem armênia que tem uma tradição de mais de cinco mil anos. “Parece uma flautinha, mas ele tem uma palheta dupla e produz uma sonoridade diferente, nostálgica. Diz-se que os filhos de Noé tocaram esse instrumento”, explica o músico.   

Ainda participam do CD o trumpetista Daniel Delatuche, os guitarristas Delcley Machado e Davi Almorim, o multiinstrumentista Luiz Pardal, o contrabaixista Príamo Brandão, a trompista Leonete Lopes, o violonista Albery Albuquerque, o flautista Itailam Pinheiro e o percussionista Ricardo Aquino. “A cidade tem que se orgulhar dos músicos que tem aqui. Com certeza essa troca deu uma faísca a mais para o meu trabalho”, diz o russo. Outras participações especiais não são musicais, mas gráficas: de Walda Marques, que faz as fotos do encarte, e do pintor americano Boris Vallejo, que cedeu a obra “The Cat in the Mirror” para o disco e do qual Klokov espera expor algumas obras durante o show.

Com o disco de canções na rua, ele parte agora para a finalização de um disco somente com repertório clássico, em que interpreta, em fagote e piano, músicas de Bach, Marccello, Faech e Saint Sans, entre outros. 

Timbres - Filho de um violonista e professor, Vadim Klokov começou seus estudos de música aos oito anos, com violão e depois piano, que acabou se transformando em seu instrumento paralelo. Aos 14 anos, se rendeu ao fagote, porque “era um instrumento que quase ninguém tocava e que sempre pareceu com o timbre da voz humana”. Ao todo foram mais de 17 anos de estudo. Antes de vir a Belém, ele fez parte da Orquestra Sinfônica de Moscou e tocou por vários países da Europa.

Mudou-se para cá a convite da Fundação Carlos Gomes, onde assumiu as turmas de fagote. “Na mesma semana apareceram convites para que eu fosse para a Turquia e para a Espanha. Resolvi vir para cá, porque era o que eu não conhecia e o que me parecia mais exótico, a Amazônia. Tinha uma intuição e uma oferta de boas condições, mas fui movido mesmo pela curiosidade. É claro que depois de chegar, passei vários choques - térmico, cultural...-, mas a beleza da cidade, dos amigos, acabou vencendo. Eu escolhi a cidade e depois ela me escolheu.”

SERVIÇO - Lançamento do CD “Jivelox”, de Vadim Klokov. Amanhã, às 22 horas, no Cosanostra Café (Trav.
Benjamin Constant, entre Brás de Aguiar e Gentil Bittencourt), com participação de vários músicos convidados. Ingresso: R$ 15 (vale um CD)
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E-mail: vadimklokov@yahoo.com.br
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